sábado, 26 de maio de 2012

Âmbar - Capítulo 1

Eu sei que estou há mais de um mês sem postar nada, mas estava com um projeto de uma nova história na cabeça. Pra quem acompanha minha vida de textos e tudo o mais, sabe que estou sem criatividade há três anos e com esse boom de criatividade, tive que deixar de lado meus microtextos e me focar nessa. O nome da minha nova história é Âmbar devido a cor linda que essa pedra tem -no decorrer da história vocês entenderão o real motivo. Espero realmente que as pessoas que a lerão, gostem e que comentem. E só pra avisar minha stalker, caso ela ainda venha me atentar, plágio é crime e dá detenção de até 3 meses.
Apreciem.



Eu pulei em suas costas e sorri extremamente feliz. Aquele era o melhor momento da semana, onde nós dois saíamos somente para não fazermos nada o dia inteiro. Só nós dois...
Thiago era o melhor amigo que qualquer pessoa poderia ter, um dos garotos mais sem noção que conheci em minha vida. Sempre que havia uma confusão na escola todos sabiam que ele estava metido nela. Um bom garoto apesar de tudo.
-Vai chover, Thiago. – falei rindo, enquanto ele corria comigo em suas costas pela praia.
-Então hoje vai ter banho de chuva! – e me jogou na areia, sentando ao meu lado em seguida. Eu pulei em cima dele tentando em vão socá-lo por ter me jogado, mas ele somente ria segurando meus braços.
-Coisa chata! – reclamei, após me largar. – Mas sério: chuva mesmo?
-Bem, considerando que passamos a semana toda juntos mas cercados de pessoas, algumas idiotas diga-se de passagem, e que hoje é o único dia que posso desfrutar de sua doce e magnífica presença inteiramente, não vai ser uma chuva que vai estragar esse final de noite. – disse, passando os dedos em meu rosto. Eu sempre amava quando ele tornava coisas simples em especiais. O que nós tínhamos era especial. Estudávamos na mesma escola e mesma série, sentávamos juntos no fundo da sala e sempre aprontávamos com nossos colegas. Mas o domingo era somente nosso, o dia mais feliz dos sete dias chatos e toda semana fazíamos algo diferente e especial, desse jeito nunca caíamos na rotina. Hoje estávamos na praia, que era um dos nossos lugares favoritos.
-Mas banho de chuva, mano? – disse fazendo cara feia. – Eu prefiro ficar seca.
-Sim, Diana! – disse praticamente me repreendendo. – Banho de chuva é relaxante, além de que... – e levantou de repente.
-O que foi? – perguntei sem entender e quase rindo.
-Já sei! – disse alto, estalando os dedos. – Tive uma ideia. – e me estendeu a mão. Ainda sem entender, segurei sua mão e levantei com o impulso que ele me deu. Foi aí que vi um sorriso maroto surgir em seus lábios e entendi o que ele queria.
-Ah não! – falei me afastando e começando a correr. Thiago correu atrás de mim e quando me agarrou pela cintura, conseguiu me carregar pelas pernas. Meus tapas em suas costas e até em suas nádegas junto de meus gritos não surtiram o efeito desejado. Ele andou até onde a água tocasse seus joelhos e me jogou. Não posso dizer que odiava quando aprontava essas coisas, mas bem, ele estava lá comigo e eu tinha que tirar aquele sorriso tosco do rosto dele. Então fiquei em pé e em um segundo pulei, empurrando-o. Quando voltamos à superfície, levantei e tentei voltar rapidamente enquanto ele me perseguia. A chuva começou a cair e eu cheguei à areia, sentando por estar cansada daquela brincadeira. Quando ele me alcançou começamos a rir. Estava com gosto de sal na boca e os dois totalmente molhados.
-Você é louco, sinceramente. – falei olhando-o depois de um minuto.
-Eu sei. – disse cínico. Thiago me olhou fraternalmente e segurou minha mão, entrelaçando nossos dedos. – Mas sou louco porque esses momentos me deixam feliz. Porque são únicos...
A partir desse momento não sei bem o que me aconteceu. Estávamos tão próximos e eu estava começando a ficar com um pouco de frio. Ele se aproximou mais ainda, tocou meus lábios com a outra mão e eu não conseguia tirar os olhos dele, dos cabelos molhados e das pequenas gostas de chuva que deslizavam suavemente por seu rosto. Até hoje me impressiono com a capacidade que ele tinha de me hipnotizar com o par de olhos âmbar que tinha. E, de maneira simples, o beijo aconteceu. Calmo, apaixonado, gostoso... Aquele não havia sido nosso primeiro beijo. Na verdade devia ser o terceiro ou quarto.
A primeira vez que nos beijamos foi meio tensa. Estávamos na escola conversando por mensagem no meio da aula quando ele perguntou se eu não queria “ficar”. Antes de dizer que eu aceitei devo mencionar que o Thiago é um dos garotos mais lindos da escola e que tem certa fama com as meninas. Nosso primeiro beijo foi ardente, coisa de adolescentes cheios de hormônios. Mas o segundo já se tornou mais lento e gostoso, e o terceiro pude sentir a paixão. Sempre neguei que ele pudesse estar apaixonado por mim, até porque o conhecia muito bem e em todos os anos de amizade ele nunca havia gostado de uma garota de maneira séria.
-Eu tenho uma coisa pra te contar. – disse, separando nossos lábios, mas ainda segurando meu rosto. Não consegui evitar beijá-lo novamente, prolongando ainda mais o que ele tinha para me dizer.
-Ok, agora pode falar. – disse, olhando-o. Mas Thiago ainda permaneceu com os olhos fechados e eu notei o receio em sua voz quando ele finalmente começou.
-Você lembra quando eu comentei que talvez meu pai pudesse ser transferido? – e abriu os olhos com certa tristeza.
-Sério? Isso não é mais uma das suas brincadeiras idiotas? – perguntei com seriedade.
-Não, agora eu estou falando sério... – respondeu sem expressar nenhuma reação. Depois de tantos anos, às vezes ainda tinha dúvidas quando ele falava a verdade.
-Quando? – perguntei respirando profundamente com certo desânimo.
-Um mês. – disse apertando minha mão que ainda estava entrelaçada em seus dedos. – Só mais quatro domingos nossos...
Eu não tinha o que dizer. Estava sem palavras para expressar o que eu senti naquele momento. Raiva, ódio, tristeza, melancolia não são suficientes para descrever. Só sei que o beijei novamente como se aquele fosse o último beijo e em seguida o abracei com toda a minha força. Porque eu sabia que se ele fosse para sempre, nunca mais poderia ter aqueles momentos de volta. Nunca mais...

Um comentário:

  1. AAAAAAAAH!! Poha isso me fez lembrar o thiago que marcou aminha vida a unica diferença é que os olhos deles eram azuis com manchinhas verdes e foi da minnha vida assim como veio; por acaso. Mero Troll do destino Cristo...

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