sábado, 23 de junho de 2012

Âmbar - Capítulo 2


Naquele mês, nós dois não utilizamos somente o domingo como nosso dia especial, mas praticamente todos em que conseguíamos tempo, então meio que deixamos de lado os assuntos da escola. Em seu último dia comigo, fomos de carro até uma trilha que alguns turistas amavam fazer e aproveitamos que o dia estava ensolarado. Acho que não preciso mencionar que era dia de semana e que faltamos a escola sem avisar ninguém com antecedência, mas para nossos pais não chamarem a guarda nacional por acharem que algo tinha nos acontecido, deixamos bilhetes e simplesmente fugimos. A trilha não era difícil e em quase uma hora já havíamos chegado ao pedaço mais lindo da praia inteira, pela água ser bem cristalina e a areia extremamente branca. Passamos a manhã inteira e parte da tarde brincando na água e sentados à sombra de uma árvore, até porque eu não podia tomar muito banho de sol por ser quase transparente. Um dos apelidos que Thiago me deu era justamente sacaneando com a minha cor: “branquela”. Mas o que começou com uma brincadeira estúpida virou uma demonstração de carinho.

Antes de voltarmos para a civilização tivemos mais um daqueles momentos que vez ou outra nos aconteciam. Nosso último banho na praia foi regado a mais um beijo... E eu posso dizer com toda a sinceridade que aquele foi o melhor beijo de toda a minha vida. Ele tinha algo a mais, algo simples mas que me fez querer ficar o resto do dia somente beijando-o. Só que ele me olhou e respirou profundamente, meio como se não tivesse que ter feito aquilo.
-Vamos para casa, ainda tenho uma surpresa para você. – disse com um olhar meio sedutor, me fazendo rir. Então voltamos para a cidade.
No caminho de volta, conversamos sobre coisas triviais tentando afastar ao máximo a sombra do fim, mas houve um momento em que ficamos calados e eu olhava para a paisagem que passava rapidamente em minha janela. Minha mente viajou por todos os momentos que passei com ele e percebi que poderia perdê-lo para sempre.

À noite saímos para jantar. Thiago sabia que eu não gostava de coisas exageradas, então fomos a uma cafeteria e fiquei surpresa ao ver que não havia mais ninguém.
-O dono é meu amigo e, bem, hoje essa cafeteria é nossa. – sorriu, segurando minha mão, ao ver minha cara surpresa.
Uma leve melodia tocava no local e havia somente uma mesa arrumada com velas. E só então eu pude perceber como Thiago estava tão lindo. Ele puxou a cadeira para mim e, ao sentar, beijou minha bochecha murmurando em meu ouvido:
-Você é extremamente linda. – e com um sorriso sentou em minha frente.
Uma pessoa veio até nossa mesa e encheu nossos copos com água. E depois, simplesmente estávamos a sós. Ainda não conseguia falar pois tudo aquilo era totalmente maluco para mim. Percebi que meu coração pulava dentro do peito de uma maneira diferente, de um jeito que era bom.
-Não vai dizer nada? – Thiago me perguntou ainda sorrindo.
-Eu... Não sei. – respondi sorrindo com certo nervosismo. – Por que isso? – perguntei.
-Porque você é especial. – disse bebendo um pouco de água.
Eu só ri, olhando-o com carinho. Ele nunca havia levado uma de suas garotas para jantar e, para completar, eu nunca fui uma de suas garotas. Thiago sempre ficava com uma garota diferente todas as semanas e nunca com a mesma duas vezes. Eu fui a primeira dentre tantas que ele tratou de maneira diferente e que ainda era sua amiga.
-Diana, o real motivo de estarmos aqui hoje não é o fato de eu ir embora amanhã. – disse-me depois de jantarmos. – Existem coisas sobre mim que não compreendo e outras que prefiro não compreender, e você é uma das que preferia não compreender.
-Como assim? – perguntei, me apoiando na mesa para ficar mais perto dele. Thiago ficou calado somente me olhando, até que levantou e se ajoelhou ao meu lado.
-Você é diferente. – disse com um sorriso. – Diferente de todas as outras. Você pensa e age de modo diferente e sei que foi por isso que me tornei seu amigo. Mas naquela segunda vez que nos beijamos tudo ficou esquisito porque eu não entendi como você conseguiu fazer com que eu ficasse nervoso. – e ele riu. – Eu, Thiago Freitas, fiquei trêmulo ao beijar uma garota e você sabe a fama que adquiri com os anos. Lutei e relutei contra eu mesmo, só que não consegui. E depois que meu pai me avisou que íamos embora, a ficha caiu. – Thiago enfiou a mão no bolso da calça e tirou uma caixinha que logo abriu, revelando um pequeno pingente de âmbar num simples fio preto. – Eu sei que você não gosta de coisas chamativas e toscas, então eu trouxe a pedra de âmbar que minha avó me deu anos atrás, só fiz mandar colocar o pingente e conseguir esse cordão. – e levantou, indo colocar o cordão em meu pescoço. Thiago estava me surpreendendo tanto nos últimos dias que era até complicado de me expressar. – Segure seus cabelos, minha anomalia. – disse rindo.
-Idiota. – respondi também rindo. Aquele apelido besta surgiu depois de uma aula de biologia em que o professor explicou que pessoas ruivas eram anomalias genéticas. Mas eu o deixava me chamar de “minha anomalia” pelo fato dele amar a cor de meus cabelos. E de usar o pronome "minha".
-Pronto. – disse após colocar o presente e me olhar. – Ele combina com você.
Ficamos um minuto em silêncio e logo outra doce melodia começou. Thiago segurou minha mão e eu levantei, abraçando-o imediatamente. Começamos a andar ainda abraçados e rimos. Eu o olhei e segurei seu rosto entre minhas pequenas mãos, grudando meus olhos nos dele. E logo em seguida, minha boca na sua. Aquele era o momento mais feliz de minha curta e miserável vida.
-Eu te amo... – Thiago sussurrou em meu ouvido depois de nosso beijo. – Te amo de verdade. – Afirmou me fazendo sorrir. Porque eu o amava também, com uma intensidade sem igual.

2 comentários:

  1. Mana sentir meus olhos arderem... Snif... Simplemente -Suspiro- Nostálgico.

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  2. Oh Lu *-----* Obrigada por acompanhar :D

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