segunda-feira, 18 de junho de 2012

Carícias


Ela acariciou meus longos cabelos enquanto olhava no fundo de meus olhos. Eu não era a criatura mais perfeita da face da Terra, tinha erros que valiam por cinco vidas, marcas eternas, vergonhas para se esconder o rosto de todas as pessoas, porque elas conseguiriam enxergar através de mim. Mas ela, apesar de ver tudo o que eu tinha de ruim, ainda estava comigo. Seus pequenos pés encostaram nos meus e estavam tão gelados que a puxei um pouco mais para perto de mim, o que a fez dar um sorriso estonteante. Toda a minha maldade se esvaiu com esse gesto. A pele macia de suas mãos passeou por meu rosto, arranhando minha barba mal feita, o toque tão suave fazendo com que eu ficasse com todos os pelos de meu corpo eriçados. Seus dedos contornaram meus olhos e chegaram a minha boca, desenhando a linha de meus grossos lábios. Eu queria que ela me beijasse naquele exato momento, que puxasse meu corpo num gostoso abraço, mas ela continuou as carícias com a ponta dos pequenos dedos. Apesar de minha vontade de agarrá-la e ceder a certas vontades, eu fui obrigado a me conter, tornando imediatamente escravo de suas vontades. Ela que fizesse o que bem entendesse. Poderia me abandonar, me bater, me xingar de nomes inimagináveis. E juro que não compreendia o por quê de estar tendo a regalia de sua presença, de seu pequeno corpo tão próximo do meu, de seu carinho. Sua mão continuou com os doces movimentos, descendo pelo meu pescoço e passando lentamente por meu peito, até chegar em uma de minhas mãos. Puxando-a para seu delicado rosto, ela sorriu novamente e fui acometido de múltiplos calafrios. Vagarosamente deslizei as costas de minha mão por sua bochecha, sua expressão de satisfação me deixando louco. Ela tornou a olhar minha alma através de meus olhos e roçou o pequeno nariz em minha boca. A mão que ainda estava em sua face imediatamente passou para a nuca, fazendo-a soltar um leve suspiro. Essa era uma das coisas que ela mais adorava. Se aproximou mais, ficando em cima de mim e sorriu antes de colocar os lábios sobre os meus. Eu a amava. Sorrimos plenos de felicidade e ela encostou sua cabeça em meu peito. Aos poucos sua respiração foi se estabilizando. Eu acariciei seus longos cabelos e sorri. Porque ela estava comigo apesar de toda a merda que eu era.

Um comentário: