terça-feira, 17 de julho de 2012

Âmbar - Capítulo 3


Minha noite foi tão linda que era complicado de acreditar que no dia seguinte Thiago iria embora da cidade. E complicado não somente pela beleza de tudo o que nos acontecia, mas também por existirem sentimentos mútuos que nunca iriam se concretizar fisicamente.
Acordei cedo após dormir somente por umas três horas. Passei a noite em claro, rolando de um lado para outro na cama, com a cabeça cheia de pensamentos. Eu não queria que Thiago fosse embora, não depois de toda a revelação e demonstração de amor que fizemos um ao outro no jantar. Nunca pedi nada a ninguém e aquela era a primeira vez que implorava por algo em minha vida e madruguei implorando que ele não partisse, que algo acontecesse. Mas às 7 horas já estava de pé, ainda de pijamas, do lado de fora da minha casa vendo Thiago e seus pais colocarem as malas dentro do carro. Permaneci de braços cruzados segurando as lágrimas que teimavam em cair. Ele esperou os pais entrarem, começou a andar em minha direção e parou em minha frente, respirando fundo. Não trocamos nenhuma palavra nos minutos seguintes e eu comecei a chorar de modo desesperado. Então o abracei forte.
-Eu te amo! – exclamei, beijando-o profundamente. Um beijo regado a lagrimas de despedida, lágrimas que derramei pela primeira vez longe de algum filme romântico idiota. Thiago separou nossas bocas e encostou sua testa na minha.
-Eu também te amo. – disse olhando em meus olhos e depois se afastou, ficando cada vez mais distante de mim. Ele não olhou para trás e, ao entrar no carro, manteve a cabeça baixa, até que o carro sumiu numa curva. Sentei na calçada e chorei como uma criança. Eu o havia perdido e não pude fazer absolutamente nada para impedir isso.

Minhas férias não foram as perfeitas que todo mundo planeja. A maior parte do tempo passei em minha cama ouvindo as músicas depressivas que havia baixado. Thiago não respondia meus e-mails e mensagens, muito menos atendia minhas ligações e aquilo me deixava cada vez pior por não saber o motivo dele me ignorar. Só comia uma vez por dia e os banhos... Bem, devo dizer que pelo fato de só ficar em meu quarto, com o ar-condicionado ligado e sem fazer nada o dia inteiro fizeram com que meus banhos se reduzissem drasticamente. Eu estava péssima.
Certo dia, meu pai foi até meu quarto conversar. Encontrava-me debaixo do lençol com os fones de ouvido. Ele tocou meu pé e vagarosamente eu o olhei, tirei os fones e perguntei o que queria comigo.
-Minha filha, eu e sua mãe estamos preocupados. Você já está há tanto tempo nesse estado , sem comer direito, sem sair com seus amigos... Sabemos que gosta demais do Thiago, mas ficar sem viver porque ele foi embora não é o melhor. – disse segurando minha mão.
-Pai, - respondi tentando sorri, em vão devo mencionar. – eu sei que tudo isso vai passar mas, por enquanto, eu quero ficar aqui, sozinha com essas músicas emotivas. Só por enquanto. – e apertei sua mão. Meu pai respirou fundo e sorriu.
-Tudo bem querida. – e beijou minha testa, saindo de meu quarto.
Outra ocasião, saí do quarto para comer alguma coisa e ouvi meus pais conversando na sala. Minha mão falou que estava preocupada com minha situação e meu pai simplesmente respondeu que eu amava Thiago e que primeiro amor sempre deixa marcas. Eu sentei na escada e esperei eles pararem de falar sobre mim para ir até a cozinha.
Com o tempo eu fui melhorando. Laura, uma amiga, foi até minha casa e me tirou da cama, obrigando-me a ir para a rua conversar e andar. A cidade estava calma e eu pude respirar um pouco de ar puro. Dias antes, sentei na sacada de meu quarto por horas e Laura me viu da rua. Ela disse que me chamou várias vezes e que eu simplesmente a ignorei. Juro que não ouvi ou vi nada. Devia estar com meus fones de ouvido.
Sair de casa me fez bem e depois desse fato, o resto das minhas férias melhorou, apesar de passar boa parte dos meus dias em casa. Eu precisava com urgência que o mês terminasse. Com as aulas, minha mente ficaria ocupada, sem contar nas atividades extras. Sempre fazia muitas coisas, como teatro, canto, piano e até me meti em xadrez após Thiago me arrastar para ele... Que droga!

Depois de quatro semanas que mais pareceram anos, minhas aulas iniciaram. Laura me ajudou bastante na última semana e eu já aparentava estar melhor. Só que a aparência engana até quem não acredita nisso. Eu ainda estava em cacos por dentro...
Meu primeiro dia de aula foi calmo. Apresentação de novos professores, reapresentação dos chatos, pessoas novas na minha sala que nem fiz questão de conhecer. A coisa ia fluir durante o resto do ano e tudo melhoraria. Sempre vi coisas assim em filmes românticos cheios de clichê e todo mundo – ou pelo menos a maioria – ficava feliz no final. Eu não ficaria feliz, mas se poderia chegar a um meio termo, já estava satisfeita com isso.
No fim das aulas fui para o corredor para guardar alguns materiais no armário e estava tão distraída que não percebi quando acertei um garoto no rosto com a porta do armário ao abri-lo. Juro que não sabia que usaria tanta força naquela simples ação. O menino largou os materiais que segurava e pôs a mão no rosto me fazendo entrar em desespero quando vi sangue escorrer de seu nariz.
-Ai meu Deus, ai meu Deus! Me desculpe! – exclamava aflita.
O menino sentou no chão ainda com a mão cobrindo a face e eu a afastei para inclinar sua cabeça e segurar seu nariz, estancando assim o sangue. Depois de um tempo o soltei e perguntei como ele se sentia. Então o garoto abriu os olhos e fiquei totalmente sem reação. Sua íris era idêntica a de Thiago, tanto os contornos quando a cor âmbar que sempre se destacou. Eu via sua boca se mexer contudo não ouvia nenhuma palavra. Entrei em estado de choque.
-Garota, você está bem? – perguntou ao me tocar, o que me fez recobrar os sentidos.
-Sim... – respondi sem a mínima certeza. – Sim, estou. – falei com mais convicção, começando a juntar o material do menino, para logo em seguida ajuda-lo a levantar.
-Tem certeza que você está bem? – perguntou mais uma vez.
-Bem, era o seu nariz que estava sangrando, portanto eu que deveria perguntar. – disse tentando disfarçar meu estado.
Ele sorriu de leve, pegou seus materiais que eu ainda segurava, agradeceu e começou a andar em direção ao banheiro.
-Espere! – falei alto. – Qual seu nome? – perguntei instantaneamente, um provável erro das minhas sinapses. Aquele garoto se virou com um sorriso estampado no rosto e os olhos encantadores.
-Felipe. – respondeu-me. – Sou da sua turma, Diana. – e entrou no banheiro, me deixando total e completamente embasbacada.


Um comentário:

  1. Tipo WTF? mana ia ficar besta tambem... Waaah q saudades daqui so sei que ta foda... Continua.

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