domingo, 5 de agosto de 2012

Âmbar - Capítulo 4


Ainda permaneci parada no corredor por um tempo com cara de lesa. Não conseguia raciocinar direito e as únicas coisas que pairavam em minha mente eram os olhos do garoto e sua voz falando meu nome. Como me conhecia era um mistério, já que nunca o tinha visto em lugar algum e sabia pelo menos que era novato na escola.
-Diana. - ouvi meu nome e em seguida vi Laura tocando meu braço. Olhei em volta e percebi algumas pessoas me olhando de modo estranho.
-Você o viu? - perguntei, começando a andar com ela ao meu lado, tentando me afastar daquele ambiente.
-Quem? - perguntou ainda sem entender por que eu agia daquele modo.
-Um garoto com olhos idênticos aos de Thiago. - respondi, mais aliviada por ter saído da escola. - Ele disse que se chamava Felipe.
-Ah sim. - respondeu, seu tom de voz me fazendo parar instantaneamente. - Novato e já chamou a atenção de todas as garotas quando entrou na sala, menos de você que nem tirou os olhos do caderno. Mas parece que já o conheceu. - disse sorrindo. E devo mencionar que não gostei nada daquele sorriso.
-Eu abri a porta do meu armário e o acertei em cheio, tanto que o nariz dele ficou sangrando. Ajudei a estancar o sangue e quando ele abriu os olhos fiquei totalmente sem reação. Juro que não sei o que me aconteceu. - disse voltando a andar. Queria somente chegar em casa e me jogar na cama.
-Você sente falta de Thiago, isso é normal. Qualquer coisa que vê, já lembra logo...
-Não! - exclamei interrompendo-a. - Eu tenho certeza, os olhos eram idênticos. Essa cor é inconfundível! - fiquei exaltada nessa hora. Só queria apagar certas características de Thiago de minha memória e do nada surge um garoto com olhos cor de âmbar. Não merecia pior castigo.
-Diana, tente não associar os dois. Felipe é totalmente diferente de Thiago. Ele é idiota, gosta de brincadeiras sem graça; resumindo, é muito atentado. - e riu por descrever um garoto que mal conhecia. - Thiago só sacaneava com os outros quando você aprovava, já Felipe não precisa de autorização. - saber que eles eram diferentes na personalidade já era um alivio.
-Ok... - murmurei me afastando de Laura e mando o caminho de casa. Dormi por pouco mais de dezesseis horas. Ainda não conseguia me adaptar com horários então, ao chegar em casa depois do primeiro dia de aula, só fiz tomar banho, almoçar e correr para o quarto. Minha cama foi tão aconchegante depois de todo o susto, porém demorei a dormir, lembrando dos olhos de Felipe e Thiago, comparando-os mentalmente. Não ia permitir que aquele moleque me perturba-se. Ele sabia meu nome por algum motivo e mais cedo ou mais tarde eu iria acabar descobrindo.

Não queria ir pra escola. O simples fato de encarar Felipe por mais de cinco horas já era motivo mais que suficiente para continuar em casa, mas meus pais não cederam e, contra a minha vontade, tive que ir. Cheguei cedo e acabei sendo a primeira a entrar na sala, pegando imediatamente um livro para me distrair. Nossas mesas eram duplas, então sempre sentava com Thiago e, agora que ele se fora, Laura ficava comigo. Meu susto foi enorme quando alguém sentou ao meu lado, e vi Felipe na maior cara de pau arrumando seus materiais na mesa.
-Oi. - disse-me depois de um tempo. Os olhos grandes e brilhantes me deixando sem palavras. - Tudo bem, Diana? Tive que fazer uma compressa de gelo no nariz ontem, você tem uma força estupenda. - disse sorrindo. Fechei meu livro e fiquei calada olhando-o. Que garoto abusado!
-Como... sabe meu nome? - consegui dizer depois de uns minutos. Dizem que a curiosidade matou o gato, mas ainda queria saber como ele se tornara meu perseguidor.
-Lista de frequência. - respondeu, curto. - Estive te observando ontem.
-Esteve me observando? - consegui perguntar, concentrando toda a minha raiva.
-Sim, - disse sério. - algum problema?
-Problema? - falei rindo. - Imagina! Só um garoto que nunca vi na vida que resolve me perseguir assim, sem mais nem menos, no primeiro dia de aula. Idiota! - e levantei imediatamente, indo sentar no fundo da sala. Realmente consegui ficar com ódio daquele menino. Ao sentar em outra mesa, levantei os olhos e vi que todos na sala me olhavam de maneira estranha e alguns até cochichavam. Olhei para Felipe e ele não desviava os olhos de mim. Um sorriso debochado surgiu em sua boca e tornei a olhar para meu livro, quase explodindo de raiva.

Um comentário:

  1. rsrsrsrrs, bora quero a continuação muito boa viu, coitada da Diana

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