segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Âmbar - Capítulo 5


Meus dias na escola seguiram de maneira tensa por causa da inútil presença de Felipe. O garoto era tão irritante que sua simples aparição deixava todos os pelos de meu braço eriçados e eu odiava quando alguém conseguia fazer isso comigo. Tirando este pesaroso fato, começava a me animar com minhas aulas extracurriculares estarem prestes a começar, sem contar que seria monitora do professor de teatro. Dar aulas para os iniciantes seria magnifico e ocuparia minha mente por mais de uma hora. Além, é claro, das aulas de teatro, de piano e canto que faria durante a semana. Eu precisava de bastante ocupação para Thiago virar uma lembrança quase esquecida. Me sentia traída e magoada por ele me ignorar desde quando fora embora, tanto que pensamentos mirabolantes passavam pela minha cabeça; que tudo era mentira, que ele conhecera outra pessoa, que resolvera me esquecer definitivamente... E se realmente era isso que ele estava fazendo, eu faria o mesmo. Ou pelo menos tentaria.

Quase um mês depois, em um final de semana, Laura me chamou para ir ao cinema. Uns amigos que não falava desde a ida de Thiago também apareceram e fiquei extremamente feliz por poder avacalhar com eles. Sempre que andávamos juntos saía alguma besteira. Nossa sessão no cinema foi regada a muitas chacotas com os personagens e atores do filme e também muitas reclamações das outras pessoas mandando-nos calar a boca. Obvio que não calamos. Eu amava estar no meio deles, pois me faziam rir até ficar com as bochechas e a barriga doendo. Chegava a me sentir viva perto deles.
Saímos do cinema e fomos comer. Mais avacalhação. Até que os meninos me chamaram para sair com eles, o que deixou Laura um pouco desconfortável. Ela me puxou para o banheiro e suspirou:
-Não vá.
-Por que não iria? - perguntei curiosa. - Eles são amigos e você os conhece.
-Diana, eles vão pra praia beber e você sabe a merda que sempre acontece. - falou temerosa. Sim, eu realmente sabia que eles sempre abusavam do álcool, mas naquele momento não ligava para isso.
-Eu vou com eles, Laura. Não adianta nem tentar me prender aqui dentro. - disse convicta, deixando-a sozinha no local.
Fui de encontro aos meninos e, logo após a coleta para pagar a comida, seguimos para a praia. Liguei para meus pais e disse que ia passar a noite na casa de Laura, além de que provavelmente voltaria no dia seguinte. Odiava mentir para eles, mas eu queria ir pra farra. Eu precisava.
Já tinha anoitecido quando chegamos lá. Mike, um de nossos amigos, havia comprado grades de cerveja e enquanto procurávamos galhos secos para a fogueira, ele as colocava no gelo. Acho que não preciso mencionar que era a única mulher naquele grupo. Começamos a beber e conversar, com a música do carro de Mike rolando um pouco alta. Eu estava bem animada e bebia uma garrafa atrás da outra, conversando sobre mulheres com eles. Na quarta já estava bêbada. Isso porque Thiago nunca me deixava beber quando saíamos com os meninos, então meu metabolismo era fraco demais. Uma hora tentei me levantar e, tonta, quase caí para trás. Alguém me amparou e todos riram daquela cena, inclusive eu.
-Ok mano, eu consigo andar sozinha. - falei completamente porre. E qual foi minha surpresa quando vi que era Felipe quem me segurava. Soltei um palavrão tão alto que todos os garotos ficaram em silêncio para logo depois caírem na gargalhada. O fato de nunca falar palavrão deve tê-los assustado.
-Aí galera, trouxe mais uma grade. - Felipe disse após me soltar, entregando a grade para Mike.
-Quem convidou ele? - perguntei com a voz arrastada depois de conseguir raciocinar. Felizmente ninguém respondeu, sendo assim um homicídio a menos no mundo. O vi cumprimentar todo mundo e revoltada, peguei mais uma cerveja e comecei a andar para longe dele. Estava tão mal que quase caí de novo, mas me seguraram pela segunda vez. Felipe, lógico.
-Mano, o que tu queres comigo? - perguntei, a raiva transparecendo em minhas palavras.
-Quantas garrafas já bebeu? - perguntou. Os olhos âmbar brilhando devido as luzes da fogueira.
-Não te interessa. - respondi pausadamente e rindo logo em seguida. - Você é o idiota que nem ao menos merece que eu lhe dirija a palavra.
Felipe deu mais um daqueles sorrisos irônicos e eu fiquei possessa de ódio.
-Por que rindo? Por acaso sou palhaça agora? - perguntei com vontade de me atracar no pescoço, enforcando-o.
-Você deve estar porre desde o primeiro gole. - e riu.
Só Deus sabe como quis arrancar aquele sorriso idiota da boca dele, quebrando todos os dentes. Então para “provar” que eu estava bem, tomei mais da metade da cerveja de uma vez, para logo em seguida jogar a garrafa vazia nele. Com minha visão turva, errei alguns centímetros e ele só ficou me olhando. Com raiva, virei num 180° na tentativa de ir o mais distante possível da presença de bosta dele, mas tropecei no meu próprio pé e caí. Do chão ouvi a risada de Felipe. “Garoto atrevido e insolente” pensei fechando as mão com força. Levantei e fui para cima dele, tentando em vão soca-lo. Ele segurava meus braços sem força e ria de mim.
-Diana, você está terrivelmente bêbada. - disse, como se eu não soubesse disso. Parei de tentar batê-lo e me senti fraca. No momento seguinte, já estava quase desmaiada e nos braços de Felipe, que me carregava de voltar ao grupo. Murmurei que ele me soltasse, mas não fui atendida. Quando percebi, estava sentada no banco de um carro, indo para longe da praia. Murmurei novamente que ele retornasse e fiquei assustada com sua resposta.
-Que droga, Diana! Você tá quase em coma alcoólico e ainda quer fazer mais merda? - gritou e imediatamente despertei. Seus olhos estavam cheios de preocupação e raiva. Parecia que todo o álcool do meu sangue sumira com aquelas duras palavras. Não demorou até que estacionasse e eu percebesse que estava na frente de minha casa. Um silêncio constrangedor pairava. Saí do carro, mas voltei e olhei no fundo dos lindos olhos de Felipe.
-Desculpe. - pedi. E sem esperar resposta, dei as costas e entrei em casa.

Meus pais dormiam profundamente e nem notaram quando andei pela casa, quase derrubando tudo por causa do porre. Me joguei na cama, mas não dormir imediatamente. O jeito como Felipe agiu no carro me deixou muito desconfortável. Como se ele se importasse comigo. “Que se dane” murmurei depois de um tempo pensando naquele idiota. Me revirei na cama e dormi como pedra.

Longe, comecei a ouvir um barulho parecido com o de uma sirene. Minha cabeça zumbia com força extrema e eu só queria continuar a dormir. O barulho ficou cada mais alto e claro e percebi que era meu celular que tocava, então levantei a procura do aparelho. Minha cabeça doeu muito com esse ato. Estava de ressaca, que legal! Encontrei o telefone no bolso da calça e sem enxergar nada, atendi.
-Que merda você fez Diana? - a voz do outro lado da linha quase gritou. Lágrimas brotaram de meus olhos quando percebi que era Thiago.
-Que bom que você me ligou. - disse feliz. - Estou sentindo tanto a sua falta Thiago... Te amo tanto...
-Diana, - sua voz ainda era dura, fazendo com que toda a minha felicidade de esvaísse. - por que você bebeu ontem? Ficou louca por um acaso?
-Thiago, meu amor, não foi nada. Saí com nossos amigos e bebi um pouco. Mas como você está? Há tanto tempo que tento falar contigo...
-Para de mudar de assunto! - exclamou irritado, me deixando muito assustada. - Eu te falei milhares de vezes pra não beber com eles, porque esses desgraçados vão deixando pelo caminho as pessoas que desmaiam. Ainda me contaram que se não tivesse um cara sóbrio, provavelmente você ainda estaria na praia, isso se não fosse sequestrada por algum maluco. - ficamos calados por um tempo. Fiquei pasma pela sua raiva e pelo fato dele saber o que me acontecia. Quando ele tornou a falar, sua voz estava mais branda.
-Não inventa de fazer mais merda Diana, por favor...
-Eu prometo. - respondi depois de certo tempo. - Não farei isso de novo.
-Assim espero. - E desligou, me deixando completamente sem ação.

2 comentários:

  1. Demoras te mas valeu a pena a espera... Ufa a Diana passou um sufoco e o Fudido do Thiago que so liga pra brigar com ela e nem conversa a poha... Aguardando o prox Cap

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    1. IUHSAIDUHASIUDHSAIUDHIASUDHUSAIH revoltada com o Thiago QQQ Pelo visto ainda vais ficar muito pê da vida com ele Q
      O próximo eu prometo que não demoro (A)

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