segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Âmbar - Capítulo 6

Presente de aniversário para Luana Mayra ~♥



Passei o domingo inteiro na cama. Não quis sair, tomar banho ou até mesmo comer. Meus pais não paravam de entrar e sair de meu quarto, o que me irritou a ponto de trancar a porta e gritar para que me deixassem em paz. Eu nunca em minha vida gritara ou desobedecera meus pais, mas naquele momento queria um pouco de privicidade para ficar sozinha com meus pensamentos.
Não compreendia como Thiago pudera ser tão cruel em suas palavras. Estava chateada com tudo e principalmente por ele não ter nem ao menos dito uma palavra de carinho. Por que ele mudara seu jeito martelava minha cabeça. É outra garota, dizia uma voz, enquanto eu negava com palavras como se estivesse conversando com alguém em meu quarto. Para completar, minha dor de cabeça estava mais forte e eu sentia que a qualquer momento eu iria explodir. Fui ao banheiro e peguei dois comprimidos para enxaqueca. Lavei o rosto e respirei fundo, tentando estabilizar-me. Voltei para a cama e esperei o remédio fazer efeito. Dormi até o dia seguinte.

Acordei na segunda envergonhada. Não podia mais deixar que Thiago me abalasse daquele jeito. Se era isso o que ele queria, já estava feito.
Levantei da cama, tomei banho e me arrumei para a escola. Na mesa de café, dei um beijo em meus pais e pedi-lhes desculpa pelo meu jeito melancólico. Acho que deixei os dois meio pasmos com minha mudança de humor. Já na escola, quando entrei na sala, avistei Felipe e andei em sua direção. De repente eu ouvi o silêncio. Provavelmente todos já sabiam o quanto eu não ia com a cara dele ou o que havia acontecido.
-Felipe, quero te pedir desculpas por te deixar preocupado na sábado, mas saiba que esse pedido não muda o ódio que sinto. - disse, e sem esperar resposta, me afastei. Todos na sala me olhavam. Sentei ao lado de Laura, que me olhava meio assustada.
-O que foi isso? - perguntou-me.
-Um pedido de desculpas que não muda os fatos. - respondi com um sorriso. Arrumei-me na carteira e olhei para a direção da mesa de Felipe, que estava com os olhos grudados em mim, sua expressão séria e confusa. Fio minha vez de dar um sorriso irônico. Pus os olhos em meu livro e esqueci-me do que havia acontecido.

Segunda era dia de dar aula aos novatos do teatro e estava tão animada com isso, que cheguei meia hora antes do começo. Meu professor me deu dicas de como proceder com as aulas iniciais e pediu para ter calma e pulso firme. A aula começou e me senti extremamente feliz por perceber que levava jeito pra ensinar a linda arte da dramatização.
No meio da aula a porta se abriu e um garoto alto entrou. Apesar da pouca iluminação, percebi que era Felipe que me olhava da entrada. Disse para a turma continuar e não perder o foco quando algum idiota chegasse atrasado. Ouvi alguns risos abafados e fui em sua direção.
-Você está muito atrasado. - disse, tentando ser profissional. - Alongue-se para entrar no grupo e tire pulseiras e anéis. Na próxima você não assiste aula. - falei ríspida. Pulso firme, oras.
Apesar do senhor atrazildo, tudo correu super bem. Eu senti que os alunos saíram com a cabeça mais leve depois da aula, assim como eu sempre saia. Aquele sentimento era maravilhoso. Aos poucos, as pessoas se despediram. Menos Felipe.
-Parabéns, sua aula foi boa. - disse com aquele sorriso de sempre.
-Boa? - perguntei com um riso. - OkQ obrigada pelo elogio. - sinceramente, às vezes eu amava o meu sarcasmo.
Felipe deu um sorriso ainda mais irônico, se isso era possível, e me olhou. Eu odiava os olhos dele e o poder que tinham sobre mim. Vagarosamente ele foi se aproximando.
-Você se acha demais garota. - soltou, sem parar de andar. - Chega com a maior cara de santa, pede desculpas na frente de todos e age como se o mundo fosse seu. - fiquei estática com o que ele me disse. Tinha absoluta certeza de que eu não era assim, nem ao menos tinha notado os “outros” de que ele falava. Felipe não parou de andar até me prender contra a parede; aquele sorriso endiabrado em seus lábios.
-Você não me conhece. - contra-ataquei. - É só mais um dos imbecis que acham que sabem tudo sobre mim.
Então ele fez algo que me deixou realmente assustada. De forma lenta passou os dedos por meu pescoço até pegar o cordão que estava pendurado, puxando-o para revelar a pequena pedra de âmbar escondida em minha camisa.
-Eu vi isso quando te carreguei para o carro. Sempre me perguntei o que era esse volume debaixo de sua blusa e agora já sei. - minhas pernas tremeram. Ele me olhava de cima como se fosse superior em toda a sua altura, os olhos brilhando com a rara luz da sala, igual meu pequeno pingente que segurava nas mãos. - Deve ser de alguém especial para escondê-lo da vista de todos, Diana. Mas o que acontece se eu tirá-lo de você? - perguntou debochado. Toda raiva que já havia sentido dele não chegava nem a um décimo do que senti naquele momento.
-Eu te mato. - ameacei entredentes. Sentia que se ele realmente arrancasse aquele pingente de mim teria forças o suficiente para mata-lo. Ficamos um tempo em silêncio, ele com o sorriso e eu bufando. Até que o professor entrou na sala e perguntou o que estava acontecendo. Felipe tornou a me olhar, largando o cordão e passando gentilmente os dedos por minha bochecha. Murmurou um até logo e saiu da sala. Quase despenquei no chão. Eu usara todas as minhas forças para mantes a raiva que eu sentia e só não saí porque o professor me ajudou a sentar em uma cadeira, me trazendo água.
- Foi tão exaustiva a primeira aula? - perguntou rindo, depois que eu já estava melhor. Dei um sorriso e logo começamos a rir juntos.
-Certas pessoas são a bosta em pessoa. - respondi. - Aquele cara é um exemplo disso.
-Quer que eu cancele a matricula dele? - perguntou preocupado.
-Não, não precisa. - respondi sorrindo. - Eu sei tirar as bostas do meio do caminho.

Um comentário:

  1. Um dos melhores presentes que eu poderia ganhar. Waah! Miau ister. Muito bom esse cap. Vai Diana!

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