quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Âmbar - Capítulo 7

Segundo presente da Luana Mayra, atrasado mas chegou Q



Desejei que o dia em que o conheci nunca tivesse existido. Porque aquele maldito momento desencadeou toda uma maldita perseguição. Como se não bastasse Felipe estar nas aulas de teatro, também estava nas de canto e xadrez. E como aquele filho da mãe mesquinho sabia das minhas aulas extracurriculares ainda era um mistério que iria adorar descobrir. O pior de tudo era que eu não queria largar nenhum dos três: o teatro e o canto eram minhas paixões e não mereciam ser abandonados por causa dele; já o xadrez era um hobby que me deixava ocupada aos sábados pela manhã.
Só que, com o tempo, aprendi a conviver com sua indesejável presença em quase todos os lugares, às vezes nossas discussões eram inevitáveis, mas o melhor de tudo foi notar que meu ódio por ele conseguia substituir a saudade que sentia de Thiago.

Todos, tanto na escola, quanto nos cursos, já sabiam que Felipe e eu não nos dávamos bem. Durante as aulas, sempre que o professor fazia uma pergunta, trocávamos farpas. Principalmente quando um de nós respondia errado. Percebi que Felipe era um garoto muito inteligente, o que me motivou a desafiá-lo no xadrez. O desgraçado aceitou com uma condição: cada peça importante perdida valeria uma pergunta que deveria ser respondida sem mentiras. Nada mais justo, afinal, tinha algumas perguntas que precisava saber a resposta.
No sábado esperamos que a aula oficialmente terminasse para começarmos nosso jogo. Não havia mais ninguém na sala e eu, pelo menos, já estava afoita. Em silêncio, ajeitamos nossas peças no tabuleiro e comecei por estar com as brancas. Nossos peões quase foram extintos. Então ele levou meu primeiro cavalo.
-Parece que esse jogo vai ser emocionante. - disse com um sorriso. - Quem te deu essa pedra de âmbar? - perguntou sem rodeios, como se estivesse preparado há tempos para perguntar-me.
-Um amigo. - respondi curta.
-Qual o nome?
-Uma pergunta para cada peça. - disse com um sorriso irônico, fazendo minha próxima jogada. Levantei os olhos do tabuleiro e vi que Felipe tinha o olhar fixo em mim. A próxima peça a sumir foi dele. - Por que você anda me perseguindo? - disparei.
-Pode não parecer Diana, mas você tem um “quê” de mistério. Essa sua carinha inocente... Gosto de pessoas assim. - respondeu.
O jogo foi rolando até que estávamos chegando ao fim, exaustos. Felipe soube manipular suas perguntas, fazendo-me responder por que bebera até ficar porre, ou seja, contando-lhe a história de Thiago, descobrindo instantaneamente a pessoa que me dera a pedra de âmbar. De quebra, descobri que ele era novo na cidade e que seu novo hobby era me perturbar. Ele tinha prazer em fazer isso. Faltava somente uma peça para ele descobrir o por quê de o odiar -a cor dos olhos- quando eu lhe dei um xeque sem escapatória.
-Parabéns, você ganhou o jogo. - disse, relaxando na cadeira.
-Não Felipe, ainda não ganhei o jogo. - disse com firmeza. - Você arranjou uma inimiga que não conhece direito. Essas perguntas feitas não respondem nem metade de quem eu sou. Podes me perseguir na escola, nos cursos, em qualquer lugar, que ainda vais ser o cara mais insuportável do mundo. Suas justificativas de porque me persegues não me servem de nada. - e eu sorri por ver o jeito sério como ele me olhava. - Xeque-mate, Felipe. - movi minha Rainha, derrubando seu precioso Rei. - Este é apenas o fim do começo. - e levantei saindo da sala e deixando-o para trás.

Fiquei extremamente feliz com a cara que Felipe fez ouvindo minha raiva emanar através de palavras calmas. Passei todo o meu final de semana alegre comigo mesma que até meus pais estranharam. Eu merecia aquele sentimento depois de meses de melancolia. Contudo a maior alegria que senti, foi chegar segunda-feira, na sala de aula, e ver Felipe sem aquele sorriso de sempre, me olhando com certa duvida. Fio minha vez de sorrir para ele com muita ironia. Laura percebeu que algo estava acontecendo e imediatamente indagou.
-Nós tivemos uma pequena conversa. - respondi sendo vaga, deixando-a completamente curiosa. Se bem que, acho que essa conversa mais pareceu um monólogo.  Risos para mim.

A aula de teatro que dei ao primeiro ano foi tão boa que todo me elogiaram ao final, até mesmo Felipe. E como sempre, ele foi o último a ir embora. Eu estava no outro extremo da sala quando ele começou a falar.
-Me perdoe pelo jeito que venho lhe tratando, mas é que eu sempre trato as pessoas assim.
(Felipe pedindo desculpa? Espera, repete!) Continuei calada, arrumando minhas coisas. Era melhor ignorar.
-Diana. - me chamou e instantaneamente o olhei. Não consigo ignorar as pessoas por muito tempo, droga. - Sabe, eu amo a cor do seu cabelo. - e sorriu, só que foi um sorriso normal, me deixando meio desconcertada. Ele começou a se aproximar de mim e cometi o erro de tentar me afastar, o que fez com que me prendesse contra a parede mais uma vez, a sensação de deja-vu pairando. - Você é linda. - murmurou, a respiração entrecortada. A coisa estava ficando estranha e eu, morrendo de medo. Como se isso não pudesse ficar pior, Felipe se aproximou tentando me dar um beijo. Eu me mexi desconfortável e levantei a mão para dar um tapa naquela linda face cínica, só que ele segurou meus braços contra a parede. Naquele momento eu já estava pálida de nervosismo. Com os braços atados, tentei dar-lhe um chute entre as pernas e, não sei como, ele conseguiu prender-me completamente. Eu estava totalmente ferrada.
-Idiota! - disse com raiva.
-Amo quando você fica assim... - murmurou, beijando-me. Que vontade de enchê-lo de socos! Mas ao mesmo tempo... - Anda Diana, eu sei que você também quer... Abra a boca. - sussurrou em meu ouvido e voltou a minha boca, dando leves beijos em meu pescoço e no contorno de meu queixo. Felipe tinha razão: eu queria e muito, sem falar que estava com tanta vontade de agarrá-lo, que toda a raiva tinha ido embora. Ele tinha boa presença, sem contar no fato de estar a meses sem ficar com ninguém. - O que vai ser, Diana? - perguntou antes de me beijar de novo. Era tudo ou nada. E eu correspondi o beijo, fazendo com que Felipe me soltasse, para agarrar-me em seu pescoço logo em seguida.

Um comentário:

  1. Cristo... Tipo n tenho nem palavras, to na agonia agora de saber o que espera a Diana, ultimamente tenho falado do meu Thiago-meu fica que falou eu te amo e eu fugi rs-... De olhos claros indefinidos que tanto gostava. Mas enfim... Isso é passado. Felipe ganhando pontos comigo, rs.

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