quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O Sorriso do Anjo - Capítulo 1

Dedicado à Ana Clara Moraes, que sempre me deu forças para continuar, e ao "Tio Samuel", que com suas palavras me ajudou a ter inspiração para terminar.


Fabiana estava apoiada no parapeito de frente para o grandioso mar. Segurava uma garrafa de 600 mililitros de um refrigerante qualquer que já estava começando a condensar e deixar suas mãos molhadas e bem geladas.
A noite já havia caído a cerca de uma hora, contudo ela ainda continuava lá, olhando as pequenas ondas baterem contra o concreto e vendo as gotas de água caírem junto com suas raras lágrimas.
O celular começou a tocar e já entediada, olhou o visor. Era sua mãe, com certeza preocupada, mas Fabiana sabia onde essa preocupação ia dar, e era num castigo bem grande para ela. Guardou-o no bolso do bermudão e o deixou tocar por muitas vezes. Não queria mesmo falar com ninguém. E o toque parou por cinco minutos. “Paz finalmente...” pensou, tomando um gole do seu refrigerante.
Mas o telefone tocou de novo. Respirando profundamente, retirou o aparelho do bolso e olhou para a tela. E dessa vez, não era sua mãe, e sim sua melhor amiga, Stella Gonçalves. Ela atendeu a chamada e escutou pacientemente a amiga berrar do outro lado da linha.
-Já parou Stella? - perguntou Fabiana melancólica, ouvindo silêncio do outro lado.
-Fabí, onde você está? – indagou com preocupação na voz. – Você sumiu desde hoje de manhã. Dona Ana já me ligou várias vezes perguntando se você deu notícias ou qualquer sinal de vida...
-Ligue para ela, diga que estou bem. E que não quero conversar com ninguém agora. – pediu.
-Mas onde você está? – perguntou meio aflita. Fabiana bufou e falou rapidamente, esperando que ela não escutasse.
-Ok! Na estação. – confirmou Stella, para desagrado de Fabiana. – Estou indo aí. Mas qual é o pavilhão?
-B-3. – Fabiana disse suspirando. – Estou do lado de fora.
-E eu estou indo. – e desligou.
Fabiana olhou para o aparelho e pensou que agora não ia mais conseguir pensar sozinha. Bebeu mais um gole de refrigerante e tornou a olhar para as águas. E de repente elas pareceram tão atraentes...
-Fabiana. – uma voz atrás dela soou aliviada, a voz do culpado por estar assim. Aos poucos se virou e o viu. Os mesmos olhos esverdeados que lhe conquistaram e que pareciam tão sinceros, os mesmos lábios que ela já beijara tantas e tantas vezes...
A garrafa pet que estava presa em sua mão caiu no chão, espalhando todo o conteúdo em cima de seus tênis brancos. Lágrimas começaram a brotar tão rapidamente em seus olhos que de imediato embaçaram toda a sua visão.
-Fabiana, finalmente te encontrei! – disse o dono da voz, se aproximando dela. A menina recuou e levantou a mão, impedindo-o de dar mais um passo.
-Sai daqui Sérgio! – exclamou com a voz embargada. – Você, por favor, nunca mais dirija a palavra a mim. - e tentou se esquivar e ir embora, mas ele a segurou pelo braço.
-Fabiana... - suspirou.
-Me solta! – gritou, chamando a atenção de todos que andavam por lá. – Você teve a coragem de me trair! - continuou gritando. – A coragem de dormir com outra. – e se virou, andando o mais rápido que podia.
-Fabí! Me escuta, deixa eu explicar. – e tentou segurar o braço dela novamente, mas um garoto um pouco mais alto que ele, segurou e apertou o pulso da mão que tentou puxar a menina.
-Ela pediu pra você ir embora. – falou o desconhecido, fazendo com que Fabiana voltasse a olhar parar trás para ver o que acontecia as suas costas.
-Cara, eu não sei quem você é, e nem quero saber, mas o assunto aqui é entre eu e ela. – e olhou furiosamente para o garoto.
Stella chegou correndo e olhou tristemente para a amiga após analisar a cena que se desenrolava.
-Desculpa Fabí. – pediu com os olhos meio chorosos. – Ele escutou a conversa no telefone e depois me trancou no banheiro para eu não impedir de impedi-lo. – falou rapidamente, seu modo sempre engraçado de falar.
Fabiana, que ainda olhava assustada para o desconhecido que segurava o pulso de seu ex, olhou para a amiga.
-Me solta! – falou Sérgio para o garoto, puxando o pulso das mãos dele. – Meu assunto é com ela.
Fabiana olhou para o ex e as lágrimas voltaram a rolar descontroladas.
-Não quero mais... Saber de você... Desgraçado! – falou engolindo o choro e virou, andando novamente. Sérgio tentou segui-la, mas o desconhecido ficou bem na frente dele, impedindo a passagem.
-Sérgio... Sérgio. – disse Stella vendo que aquela situação ia acabar em briga. – Vamos. – e o puxou. – Amanhã na escola você conversa com ela. Aqui a Fabí não vai querer falar com você.
Sérgio se virou para a irmã, mas depois voltou e olhou para o garoto.
-Você, não se meta nos meus assuntos. – e o olhou de cima abaixo. – Pivete! – e cuspiu no chão, voltando a andar com a irmã, que o empurrava.
O garoto desconhecido riu com escárnio e lembrou-se da menina que ajudara. Olhou para trás e quando a avistou, correu para ver como ela estava.
-Ei, ei!- exclamou ao alcançá-la, percebendo que ela chorava mais ainda, quase soluçando. – Calma. – e a abraçou de lado. – Eu vou te tirar daqui. - e saiu daquele lugar.

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